Ultrassom de quadril no bebê: quando fazer, como é o exame e como interpretar o resultado

Postado em: 04/05/2026

Ultrassom de quadril no bebê: quando fazer, como é o exame e como interpretar o resultado

O ultrassom de quadril é frequentemente solicitado nos primeiros meses de vida e pode gerar dúvidas nos pais. Para que serve? O bebê sente dor? Existe algum risco?

Esse exame é o principal método para avaliar a displasia do desenvolvimento do quadril nessa fase. Como a articulação ainda está em formação, a ultrassonografia permite visualizar estruturas que outros exames não mostram, favorecendo o diagnóstico precoce.

Nos próximos tópicos, você encontra orientações claras sobre quando o exame é indicado, como é realizado, como interpretar o laudo e quais são os próximos passos em caso de alteração.

O que é e para que serve o ultrassom de quadril no bebê?

O ultrassom de quadril é um exame de imagem que utiliza ondas sonoras para visualizar a articulação do quadril do bebê. É o método de escolha para investigar a displasia do desenvolvimento do quadril em recém-nascidos e lactentes, justamente porque não emite radiação e é seguro para essa faixa etária.

O que o exame avalia na articulação do quadril?

Durante o exame, o especialista avalia três aspectos principais: a posição da cabeça do fêmur dentro da cavidade acetabular, o formato e a profundidade do acetábulo (a “cúpula” que recebe a cabeça do fêmur) e a estabilidade da articulação. Juntos, esses dados mostram se o quadril está se desenvolvendo dentro do esperado.

Por que é o exame de escolha nos primeiros meses?

Nos primeiros meses de vida, grande parte da articulação do quadril ainda é cartilaginosa — ou seja, ainda não ossificou. A radiografia não consegue visualizar cartilagem com clareza. O ultrassom, por outro lado, enxerga essas estruturas com precisão, tornando-se muito mais adequado até por volta dos 4 a 6 meses de idade.

Quando o ultrassom de quadril é indicado?

Triagem de rotina: todo bebê precisa fazer?

Não existe um consenso universal. Em alguns países, a triagem é feita em todos os recém-nascidos. No Brasil, a indicação costuma ser seletiva, baseada na presença de fatores de risco ou em alterações identificadas no exame físico. O pediatra ou o ortopedista infantil são os profissionais mais indicados para orientar essa decisão.

Fatores de risco que indicam o exame

Alguns bebês têm maior probabilidade de desenvolver displasia do quadril. Os principais fatores de risco são:

  • Sexo feminino;
  • Apresentação pélvica (bebê nasceu sentado);
  • Histórico familiar de displasia do quadril;
  • Alteração no exame físico, como assimetria de pregas ou limitação para abrir as pernas.

Na presença de um ou mais desses fatores, o ultrassom de quadril é fortemente recomendado, independentemente de outros sinais.

Qual a idade ideal para realizar?

A janela mais indicada fica entre 4 e 12 semanas de vida. Nesse período, a articulação ainda é predominantemente cartilaginosa, o que garante imagens mais precisas. Em casos de suspeita clínica imediata, o exame pode ser solicitado antes das 4 semanas, mas os resultados tendem a ser mais difíceis de interpretar nessa fase.

Como é feito o ultrassom de quadril no recém-nascido?

Posicionamento e duração do exame

O bebê é posicionado de lado sobre a maca, com o quadril levemente flexionado. O examinador aplica um gel frio sobre a região e desliza o transdutor (a “sonda”) pela pele. O exame dura, em média, 10 a 15 minutos no total, considerando os dois quadris.

Ultrassom de quadril dói?

Não. O exame é completamente indolor, não invasivo e não utiliza nenhum tipo de radiação. O maior desconforto costuma ser o gel frio ou a movimentação do bebê durante o posicionamento. Muitos bebês dormem durante o procedimento.

Precisa de preparo ou jejum?

Não há nenhum preparo específico. O ideal é levar o bebê alimentado, confortável e com fralda trocada para facilitar o posicionamento e reduzir o choro durante o exame. Roupas fáceis de remover também ajudam.

Ultrassom ou radiografia do quadril: qual a diferença?

Por que a radiografia não é o exame inicial no recém-nascido?

A radiografia do quadril no bebê só consegue visualizar estruturas já ossificadas. Como nos primeiros meses a articulação ainda é majoritariamente cartilaginosa, o raio-X pode parecer normal mesmo quando há displasia presente. Por isso, ele não é o método de escolha nessa fase — podendo gerar uma falsa sensação de segurança.

Quando a radiografia pode ser recomendada?

A radiografia passa a ser mais útil a partir dos 4 a 6 meses de idade, quando a ossificação avança e as estruturas ficam mais visíveis. Ela também é utilizada no acompanhamento evolutivo de crianças maiores e no planejamento de tratamentos quando necessário.

Como interpretar o resultado do ultrassom de quadril?

O que significam os ângulos alfa e beta?

O laudo do ultrassom de quadril normalmente traz dois ângulos: o ângulo alfa e o ângulo beta. Eles fazem parte de um protocolo de classificação amplamente utilizado para avaliar o grau de desenvolvimento da articulação. De forma simplificada, o ângulo alfa mede a profundidade do acetábulo ósseo, enquanto o beta complementa essa análise com a porção cartilaginosa. Para entender esses valores com mais profundidade, confira o conteúdo sobre ângulos alfa e beta no ultrassom de quadril.

O que é considerado normal e o que exige acompanhamento?

De forma geral, os resultados costumam ser classificados em três categorias: quadril normal, quadril imaturo (com desenvolvimento ainda em curso, comum em bebês muito jovens) e quadril displásico (com alteração que exige conduta). A interpretação exata depende da idade do bebê e do contexto clínico — por isso, o laudo deve ser analisado por um especialista.

Se o exame vier alterado, quais são os próximos passos?

Quando apenas acompanhar é suficiente?

Em casos de imaturidade leve, especialmente em bebês com menos de 6 semanas, o quadril pode se desenvolver espontaneamente sem nenhuma intervenção. Nesses casos, o especialista costuma programar uma reavaliação em algumas semanas para confirmar a evolução esperada.

Quando pode ser necessário iniciar o tratamento?

Quando o exame aponta alterações mais significativas, o tratamento costuma ser iniciado o quanto antes. Na maioria dos casos diagnosticados precocemente, o tratamento conservador é suficiente — sem necessidade de cirurgia. O tipo de conduta e a duração dependem do grau da alteração e da idade do bebê, e devem ser definidos pelo ortopedista.

FAQ — Perguntas frequentes sobre ultrassom de quadril no bebê

Quanto tempo demora para sair o resultado?

Na maioria dos serviços, o laudo é liberado no mesmo dia ou em até 48 horas. Em clínicas com atendimento especializado, o resultado pode ser discutido logo após o exame.

O exame oferece algum risco ao bebê?

Nenhum. O ultrassom utiliza ondas sonoras, sem qualquer tipo de radiação. É considerado um dos métodos de imagem mais seguros disponíveis, inclusive para recém-nascidos.

Pode repetir o ultrassom se necessário?

Sim. O exame pode ser repetido quantas vezes o médico julgar necessário, especialmente para acompanhar a evolução do tratamento ou confirmar melhora após reavaliação.

Avaliação especializada faz diferença no diagnóstico precoce

O ultrassom de quadril é um exame importante, mas a definição da conduta depende da análise de um especialista, que considera o resultado em conjunto com o exame físico e o histórico do bebê. O diagnóstico precoce favorece abordagens mais simples e melhores resultados.

Se o exame foi solicitado, há fatores de risco ou existe qualquer dúvida sobre o desenvolvimento do quadril, a avaliação com um ortopedista infantil oferece uma orientação mais segura.

Agende uma consulta especializada para avaliação completa e interpretação adequada do ultrassom.

Dra. Natasha Vogel

Cirurgiã Ortopedista Pediátrica
CRM-SP 150.318 | RQE 55.432