Manobras de Ortolani e Barlow: o que são e como ajudam no diagnóstico da DDQ
Postado em: 07/07/2026

Nos primeiros dias de vida, é natural que os pais tenham dúvidas sobre o desenvolvimento do bebê. Durante as consultas pediátricas, algumas avaliações ajudam a verificar se os quadris estão se formando corretamente, como as manobras de Ortolani e Barlow.
Esses testes fazem parte do exame físico e são fundamentais para a triagem da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), condição em que a articulação do quadril não se forma adequadamente. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de sucesso do tratamento.
Neste artigo, você vai entender o que são as manobras de Ortolani e Barlow, como são realizadas, o que seus resultados podem indicar e quais são os próximos passos após uma avaliação alterada.
O que são as manobras de Ortolani e Barlow?
As manobras de Ortolani e Barlow são testes feitos pelo pediatra durante o exame físico do bebê para avaliar a estabilidade da articulação do quadril e identificar possíveis sinais de instabilidade.
Fazem parte da triagem de rotina nas primeiras consultas e são especialmente importantes nas primeiras semanas de vida, quando o quadril ainda está em desenvolvimento e pode responder melhor ao tratamento, se necessário.
Qual a diferença entre o teste de Ortolani e o teste de Barlow?
Embora sejam realizados em conjunto, cada exame tem uma finalidade específica:
- Teste de Barlow: avalia se o quadril pode ser deslocado durante o exame, indicando instabilidade articular.
- Manobra de Ortolani: verifica se um quadril deslocado pode ser reposicionado, sugerindo luxação redutível.
Como as manobras são realizadas no recém-nascido?
O exame é feito com o bebê deitado de costas, em superfície firme e estável. O pediatra posiciona os quadris e os joelhos flexionados a cerca de 90 graus e executa movimentos suaves para avaliar a estabilidade da articulação do quadril.
O procedimento é rápido, dura poucos minutos e deve ser realizado por um profissional treinado.
O exame dói ou faz mal ao bebê?
Quando realizado corretamente, o exame não provoca dor nem oferece risco ao bebê. Pode haver leve desconforto durante a mobilização dos quadris, o que é esperado.
A percepção de “clique” ou “ressalto” durante a avaliação faz parte dos achados clínicos e não indica erro na execução do exame.
O que significa uma manobra de Ortolani ou Barlow positiva?
Um resultado positivo indica que o médico identificou instabilidade ou deslocamento na articulação do quadril durante o exame. Isso pode variar de uma alteração leve e transitória até um deslocamento mais evidente.
É importante destacar que nem toda instabilidade ao nascimento persiste. Alguns recém-nascidos apresentam frouxidão ligamentar transitória nas primeiras semanas, com resolução espontânea. Por isso, o exame físico isolado não é suficiente para definir o diagnóstico.
Manobra positiva é igual a diagnóstico de displasia?
Uma manobra positiva é um sinal clínico que indica a necessidade de investigação complementar, especialmente por imagem. O diagnóstico definitivo da DDQ depende da avaliação conjunta do exame físico e do ultrassom de quadril. Receber esse resultado é um alerta para agir com agilidade, não um motivo para entrar em pânico.
O que fazer se a manobra de Ortolani ou Barlow for positiva?
O próximo passo é realizar o ultrassom de quadril pelo protocolo Graf o quanto antes. Esse exame de imagem permite visualizar com precisão a formação da articulação, ainda nos primeiros meses de vida, quando o quadril é predominantemente cartilaginoso e não aparece bem em radiografias.
Por que o ultrassom de quadril é importante nesse momento?
Porque ele fornece informações que o exame físico, isoladamente, não permite confirmar. Com o ultrassom, é possível classificar o tipo e o grau da displasia, orientar a conduta mais adequada e acompanhar a evolução com segurança. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de tratamento conservador e menor a necessidade de intervenções mais invasivas.
Até que idade as manobras de Ortolani e Barlow são confiáveis?
As manobras têm maior sensibilidade nas primeiras semanas e nos primeiros meses de vida. À medida que o bebê cresce e os tecidos ao redor do quadril ganham consistência, a articulação se torna mais estável mecanicamente, e as manobras podem deixar de detectar alterações mesmo quando há displasia presente.
Por isso, após os 3 a 4 meses, outros sinais clínicos ganham mais relevância: assimetria de pregas na coxa, limitação na abertura dos quadris e diferença no comprimento das pernas.
Quando encaminhar para o ortopedista pediátrico?
Qualquer resultado alterado nas manobras, presença de fatores de risco ou dúvida clínica justifica o encaminhamento para avaliação especializada. Para o pediatra, a orientação é não aguardar: a janela de tratamento mais eficaz é curta, e o encaminhamento precoce faz diferença no prognóstico.
FAQ — Perguntas frequentes sobre as manobras de Ortolani e Barlow
Se a manobra for normal, meu bebê pode ter displasia mesmo assim?
Sim. Bebês com fatores de risco para DDQ podem ter exame físico normal e ainda assim apresentar displasia detectável ao ultrassom. Por isso, a avaliação contínua nas consultas de puericultura é essencial, especialmente em casos com histórico familiar ou apresentação pélvica.
Quais são os fatores de risco para DDQ?
Os principais são: sexo feminino, apresentação pélvica ao nascimento, histórico familiar de displasia, ser o primeiro filho e oligodrâmnio (pouco líquido amniótico na gestação). A presença de um ou mais desses fatores já indica atenção redobrada ao quadril do bebê.
O exame físico substitui o ultrassom?
Não. Exame físico e ultrassom são complementares. O exame clínico rastreia; o ultrassom confirma, classifica e orienta o tratamento. Um não substitui o outro.
Pode repetir a manobra em consultas seguintes?
Sim. As manobras fazem parte do acompanhamento nas primeiras consultas pediátricas e podem ser repetidas a cada visita, especialmente nos primeiros meses de vida, como parte da triagem de rotina.
Bebê com resultado alterado? Avaliação e ultrassom no mesmo dia
A Dra. Natasha Vogel é cirurgiã ortopedista pediátrica especializada em displasia do desenvolvimento do quadril. Quando há alteração nas manobras de Ortolani e Barlow, é possível realizar a avaliação clínica e o ultrassom de quadril pelo protocolo de Graf na mesma consulta, com definição do diagnóstico e do plano de cuidado no mesmo dia.
O diagnóstico precoce vai além de uma conduta recomendada. Ele impacta diretamente o resultado do tratamento. Em situações de dúvida ou para uma segunda opinião, a avaliação com uma especialista permite integrar precisão técnica e cuidado desde o primeiro contato.
Dra. Natasha Vogel
Cirurgiã Ortopedista Pediátrica
CRM-SP 150.318 | RQE 55.432